Nem tudo que se vê na TV é como na realidade... Há uma série de propagandas incentivando a amamentação exclusiva até os 6 meses, mas não há suporte, preparação para que isso funcione. E nem apoio às mães que não conseguem/podem.
Pontos importantes:
1) Eu nunca soube que o estresse, o aborrecimento e a ansiosidade eram os vilões da amamentação. Eles podem até fazer o leite secar. O hormônio que estimula a produção de leite (ocitocina) fica numa região do cérebro onde são controladas as emoções, então se a mãe está bem, há leite, se não, provavelmente não.
http://bebe.abril.com.br/materia/ocitocina-o-hormonio-do-amor-materno
2) A sucção do bebê estimula a produção de leite, mas quando o bebê é prematuro, é mais fraco, tem menos disposição de sugar, e o esforço da sucção pode fazê-lo perder peso.
Então vamos à minha experiência até agora:
Na primeira semana de vida da minha filha, passei por muitos estresses, muitas brigas e não achei que isso afetaria a lactação, quando ela completou 15 dias levei-a ao pediatra e chegando lá o susto, ela que havia nascido com 2,385 kg (um peso bom para um bebê de 35 semanas) chegou a 1,400kg. Perdeu muito peso, e ela mamava o dia inteiro, às vezes ficava 4 horas seguidas mamando, não esperava essa notícia.
Mas fez sentindo ao imaginar o esforço dela, tão frágil, sugando e saindo tão pouco leite. Seu gasto energético era maior que o seu consumo de calorias.
Então o pediatra passou para ela tomar 30 ml de NAM a cada vez que fosse amamentada. E assim voltei da primeira consulta destruída.
Mas firme, decidida a não desistir de amamentar.
Assim como sempre tive o sonho de ter um bebê, sempre sonhei amamentar e não estava nos meus planos ter que dar suplemento, pelo menos não tão cedo...
E obedeci ao Dr., dei os 30 ml e depois aumentei pra 45ml (como ele havia prescrito). E com 1 mês ela estava pesando 2,400kg. Ufa!
E na consulta ele indicou que aumentasse para 60 ml, o que fiz prontamente já que ela não se satisfazia mais com os 45ml.
Mas logo depois da consulta minha filha começou a recusar o peito, o que me deixou desesperada, pois percebi que já não saía muito leite e eu não queria admitir que meu leite estava secando, então descobri um remédio que foi minha salvação: Syntocinon (ocitocina sintética). Um spray nasal que deve ser utilizado 2 a 5 minutos antes de amamentar, é o hormônio responsável pela estimulação do leite, mas sintético.
Comecei a ver resultado logo no primeiro dia. E por sair mais leite, ela passou a sugar mais, e assim produzir mais, tanto que vaza, que jorra (me sinto uma vaca, rs), mas é uma sensação maravilhosa saber que tenho feito minha parte, que tenho feito escolhas que estão fazendo bem à ela.
Claro que não foi, nem tem sido fácil, já enfrentei o medo do leite secar, a aflição da rejeição dela ao leite, o julgamento das pessoas que acham que é falta de esforço, falta de dedicação, preguiça... E tenho seguido.. Mas outros desafios aparecerão, e assim como esse vou persistir, vou lutar, pois se tenho forças, todas são para ela.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Desafios da amamentação
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sábado, 23 de março de 2013
O parto
No fim de janeiro comecei a sentir umas cólicas não habituais e no dia 3 de fevereiro (domingo) elas aumentaram, não era nada insuportável, mas como eram constantes pareciam com contrações, então resolvi ir para a emergência da Casa de Saúde São José. E chegando lá, a doutora fez o toque e disse que o colo do útero estava ligeiramente aberto e por isso ia me internar. Olhei pro meu marido e eu já querendo entrar em prantos, mas deixei algumas lágrimas caírem somente quando liguei pra minha mãe pra dizer que eu ia ficar. E como sempre, ela tentando me tranquilizar. Enquanto aguardava que o plano liberasse a internação, as contrações vinham intensamente.
Então fui pro quarto e me colocaram o acesso e os medicamentos (buscopan para dor e a inibina para segurar o bebê). A inibina ficava em uma bomba que tinha que ficar ligada na tomada o dia inteiro, era horrível ter que chamar uma enfermeira toda vez que queria ir ao banheiro e grávida vai ao banheiro toda hora.
Na segunda feira fiz uma ultrassonografia obstétrica e uma dopplerfluxometria (esta é para ver se como está o fluxo sanguíneo no bebê, na placenta e no cordão umbilical) e estava tudo bem com o líquido amniótico, com o bebê, com o fluxo sanguíneo. A única alteração que tive foi no exame de sangue, a taxa de leucócitos estava alta demais. Então introduziram o antibiótico para combater a infecção.
Todos os dias, pela manhã passava um médico para avaliar como eu estava, com 3 dias de internada a médica disse: vamos tirar você da bomba e passar para o comprimido para ver como reage. Então na quinta feira eu estava livre da bomba, mas comecei a sentir cólicas horrorosas e pedi dipirona, mas nada passou. Pedi que a médica do plantão viesse me ver e ela simplesmente disse que eu ia ter que voltar pra bomba, sem ao menos me olhar.
Então na sexta feira pela manhã entrou uma outra médica no plantão, ela passou para que eu repetisse os exames que tinha feito na segunda feira. Ao fazer a ultra, uma surpresa, eu estava perdendo líquido amniótico. E meu exame de sangue deu que eu ainda estava com infecção mesmo tomando antibiótico. Então a médica deduziu que eu estava com infecção urinária e por isso perdi líquido (e não percebi que isso havia ocorrido). A médica chegou, então, com toda delicadeza, e disse:
de acordo com seu quadro clínico nós vamos precisar interromper a gravidez. Seu tempo gestacional (35 semanas e 6 dias) e o peso do bebê (cerca de 2,5 Kg) estão legais. Então eu perguntei se teria a possibilidade de ser parto normal, ela disse que não pois não há indução de parto normal prematuro, ou esperávamos pelas contrações (o que era um risco para o bebê), ou faríamos a cesariana. Então decidi pela cesariana.
Mas que depressa liguei pra minha mãe para avisar que estava na hora, que ela trouxesse minhas coisas e a mala da bebê. Então à tarde chegaram todos (mãe, marido, pai, irmã, prima) pra curtir a chegada da princesa.
E a emoção já estava no ar, mas não o desespero ou a aflição, mas o desejo de conhecer minha filha e que tudo corresse bem. Era aproximadamente 18:30 quando me buscaram para me levar para a sala de cirurgia. Até esse momento não sabíamos se meu marido poderia fotografar e filmar (a equipe que iríamos contratar, nem cheguei a acioná-los pois a obstetra disse que iria esperar a liberação da pediatra para alguém mais poder entrar na sala).
Nada do que aconteceu lá foi como eu imaginava, nem a minha reação.
O anestesista foi ótimo, muito calmo e divertido, não doeu tanto quando eu achei que doeria e nem tive que ficar tão imóvel quanto achei que teria que ficar.
Quando a anestesia começou a fazer efeito, comecei a rir, achar graça da dormência das minhas pernas.
Então chegaram a médica, as enfermeiras e a pediatra. A médica brincava dizendo que se ela fosse cabeluda ia puxar o cabelo dela.
Mas então ela disse: menina esse parto tinha que ser hoje, você não tem líquido nenhum mais. - E fez força para puxá-la pois estava agarrada lá dentro.
Aí disse: respira fundo, mamãe, que você vai conhecer a sua filha. - Nesse momento a emoção é indescritível.
Então a pediatra pegou, secou, examinou e a trouxe pra mim... Foi o melhor momento da minha vida.
Ela nasceu dia 8 de fevereiro, às 19:07, com 2,385kg, de 8 meses.
Prematura, sim, mas perfeita, um anjo de Deus, meu milagre, meu maior sonho da vida!
Então fui pro quarto e me colocaram o acesso e os medicamentos (buscopan para dor e a inibina para segurar o bebê). A inibina ficava em uma bomba que tinha que ficar ligada na tomada o dia inteiro, era horrível ter que chamar uma enfermeira toda vez que queria ir ao banheiro e grávida vai ao banheiro toda hora.
Na segunda feira fiz uma ultrassonografia obstétrica e uma dopplerfluxometria (esta é para ver se como está o fluxo sanguíneo no bebê, na placenta e no cordão umbilical) e estava tudo bem com o líquido amniótico, com o bebê, com o fluxo sanguíneo. A única alteração que tive foi no exame de sangue, a taxa de leucócitos estava alta demais. Então introduziram o antibiótico para combater a infecção.
Todos os dias, pela manhã passava um médico para avaliar como eu estava, com 3 dias de internada a médica disse: vamos tirar você da bomba e passar para o comprimido para ver como reage. Então na quinta feira eu estava livre da bomba, mas comecei a sentir cólicas horrorosas e pedi dipirona, mas nada passou. Pedi que a médica do plantão viesse me ver e ela simplesmente disse que eu ia ter que voltar pra bomba, sem ao menos me olhar.
Então na sexta feira pela manhã entrou uma outra médica no plantão, ela passou para que eu repetisse os exames que tinha feito na segunda feira. Ao fazer a ultra, uma surpresa, eu estava perdendo líquido amniótico. E meu exame de sangue deu que eu ainda estava com infecção mesmo tomando antibiótico. Então a médica deduziu que eu estava com infecção urinária e por isso perdi líquido (e não percebi que isso havia ocorrido). A médica chegou, então, com toda delicadeza, e disse:
de acordo com seu quadro clínico nós vamos precisar interromper a gravidez. Seu tempo gestacional (35 semanas e 6 dias) e o peso do bebê (cerca de 2,5 Kg) estão legais. Então eu perguntei se teria a possibilidade de ser parto normal, ela disse que não pois não há indução de parto normal prematuro, ou esperávamos pelas contrações (o que era um risco para o bebê), ou faríamos a cesariana. Então decidi pela cesariana.
Mas que depressa liguei pra minha mãe para avisar que estava na hora, que ela trouxesse minhas coisas e a mala da bebê. Então à tarde chegaram todos (mãe, marido, pai, irmã, prima) pra curtir a chegada da princesa.
E a emoção já estava no ar, mas não o desespero ou a aflição, mas o desejo de conhecer minha filha e que tudo corresse bem. Era aproximadamente 18:30 quando me buscaram para me levar para a sala de cirurgia. Até esse momento não sabíamos se meu marido poderia fotografar e filmar (a equipe que iríamos contratar, nem cheguei a acioná-los pois a obstetra disse que iria esperar a liberação da pediatra para alguém mais poder entrar na sala).
Nada do que aconteceu lá foi como eu imaginava, nem a minha reação.
O anestesista foi ótimo, muito calmo e divertido, não doeu tanto quando eu achei que doeria e nem tive que ficar tão imóvel quanto achei que teria que ficar.
Quando a anestesia começou a fazer efeito, comecei a rir, achar graça da dormência das minhas pernas.
Então chegaram a médica, as enfermeiras e a pediatra. A médica brincava dizendo que se ela fosse cabeluda ia puxar o cabelo dela.
Mas então ela disse: menina esse parto tinha que ser hoje, você não tem líquido nenhum mais. - E fez força para puxá-la pois estava agarrada lá dentro.
Aí disse: respira fundo, mamãe, que você vai conhecer a sua filha. - Nesse momento a emoção é indescritível.
Então a pediatra pegou, secou, examinou e a trouxe pra mim... Foi o melhor momento da minha vida.
Ela nasceu dia 8 de fevereiro, às 19:07, com 2,385kg, de 8 meses.
Prematura, sim, mas perfeita, um anjo de Deus, meu milagre, meu maior sonho da vida!
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sábado, 26 de janeiro de 2013
Entrando no último mês... Ufa!
Hoje completo 34 semanas, acabou o oitavo mês, entrando no nono...
São tantos medos, incertezas, aflições, desejos, ânsias...
Tantos sentimentos simultâneos que é difícil saber qual o maior.
E o parto...
Não tenho medo que ela nasça antes das 38 semanas. Agora estou muito mais tranquila pois ela está formadinha, só engordando.
Tenho medo de quando e como será o parto.
Sempre preferi a possibilidade de fazer o parto normal, mas como já disse antes, minha médica não faz. Ela marcou a cesárea para o fim de fevereiro, quando estarei com 38, quase 39 semanas.
Mas ela vai viajar do dia 10 até 23 de fevereiro. Pois é... Que sorte a minha...
Mas já entreguei nas mãos de Deus.
Ela disse que deixará um médico amigo seu de sobreaviso...
Mas se não é pra ser com ela, tanto faz quem será.
Caso a mocinha aqui decida vir ao mundo nesses dias, vou para a emergência da maternidade que quero ganhar e terei com o médico que estiver de plantão.
Só quero que aconteça o que for melhor para nós duas.
Quero muito poder cuidar dela nos primeiros dias e com cesariana não sei se conseguirei...
E a vida após o nascimento...
Não tenho a mínima ideia de como será minha vida depois que ela vir ao mundo.
Não sei que tipo de mudanças (comportamentais, emocionais, financeiras) vou ter que fazer...
Não sei como meu marido vai reagir, se será meu braço direito ou se sentirá deixado de lado pela atenção que ela vai necessitar.
Nem sei que tipo de atenção ela vai necessitar.
Não tem como saber... Só esperar...
Claro que tenho minhas inseguranças, de não saber se estou fazendo tudo que devo, tudo que posso fazer por ela, mas lá no fundo tenho a certeza que o amor que eu tenho por ela vai superar tudo isso e ainda vou me orgulhar de ser não a melhor mãe do mundo, mas a melhor mãe que posso ser.
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