sábado, 23 de março de 2013

O parto

No fim de janeiro comecei a sentir umas cólicas não habituais e no dia 3 de fevereiro (domingo) elas aumentaram, não era nada insuportável, mas como eram constantes pareciam com contrações, então resolvi ir para a emergência da Casa de Saúde São José. E chegando lá, a doutora fez o toque e disse que o colo do útero estava ligeiramente aberto e por isso ia me internar. Olhei pro meu marido e eu já querendo entrar em prantos, mas deixei algumas lágrimas caírem somente quando liguei pra minha mãe pra dizer que eu ia ficar. E como sempre, ela tentando me tranquilizar. Enquanto aguardava que o plano liberasse a internação, as contrações vinham intensamente.
Então fui pro quarto e me colocaram o acesso e os medicamentos (buscopan para dor e a inibina para segurar o bebê). A inibina ficava em uma bomba que tinha que ficar ligada na tomada o dia inteiro, era horrível ter que chamar uma enfermeira toda vez que queria ir ao banheiro e grávida vai ao banheiro toda hora.
Na segunda feira fiz uma ultrassonografia obstétrica e uma dopplerfluxometria (esta é para ver se como está o fluxo sanguíneo no bebê, na placenta e no cordão umbilical) e estava tudo bem com o líquido amniótico, com o bebê, com o fluxo sanguíneo. A única alteração que tive foi no exame de sangue, a taxa de leucócitos estava alta demais. Então introduziram o antibiótico para combater a infecção.
Todos os dias, pela manhã passava um médico para avaliar como eu estava, com 3 dias de internada a médica disse: vamos tirar você da bomba e passar para o comprimido para ver como reage. Então na quinta feira eu estava livre da bomba, mas comecei a sentir cólicas horrorosas e pedi dipirona, mas nada passou. Pedi que a médica do plantão viesse me ver e ela simplesmente disse que eu ia ter que voltar pra bomba, sem ao menos me olhar.
Então na sexta feira pela manhã entrou uma outra médica no plantão, ela passou para que eu repetisse os exames que tinha feito na segunda feira. Ao fazer a ultra, uma surpresa, eu estava perdendo líquido amniótico. E meu exame de sangue deu que eu ainda estava com infecção mesmo tomando antibiótico. Então a médica deduziu que eu estava com infecção urinária e por isso perdi líquido (e não percebi que isso havia ocorrido). A médica chegou, então, com toda delicadeza, e disse:
de acordo com seu quadro clínico nós vamos precisar interromper a gravidez. Seu tempo gestacional (35 semanas e 6 dias) e o peso do bebê (cerca de 2,5 Kg) estão legais. Então eu perguntei se teria a possibilidade de ser parto normal, ela disse que não pois não há indução de parto normal prematuro, ou esperávamos pelas contrações (o que era um risco para o bebê), ou faríamos a cesariana. Então decidi pela cesariana.
Mas que depressa liguei pra minha mãe para avisar que estava na hora, que ela trouxesse minhas coisas e a mala da bebê. Então à tarde chegaram todos (mãe, marido, pai, irmã, prima) pra curtir a chegada da princesa.
E a emoção já estava no ar, mas não o desespero ou a aflição, mas o desejo de conhecer minha filha e que tudo corresse bem. Era aproximadamente 18:30 quando me buscaram para me levar para a sala de cirurgia. Até esse momento não sabíamos se meu marido poderia fotografar e filmar (a equipe que iríamos contratar, nem cheguei a acioná-los pois a obstetra disse que iria esperar a liberação da pediatra para alguém mais poder entrar na sala).
Nada do que aconteceu lá foi como eu imaginava, nem a minha reação.
O anestesista foi ótimo, muito calmo e divertido, não doeu tanto quando eu achei que doeria e nem tive que ficar tão imóvel quanto achei que teria que ficar.
Quando a anestesia começou a fazer efeito, comecei a rir, achar graça da dormência das minhas pernas.
Então chegaram a médica, as enfermeiras e a pediatra. A médica brincava dizendo que se ela fosse cabeluda ia puxar o cabelo dela.
Mas então ela disse: menina esse parto tinha que ser hoje, você não tem líquido nenhum mais. - E fez força para puxá-la pois estava agarrada lá dentro.
Aí disse: respira fundo, mamãe, que você vai conhecer a sua filha. - Nesse momento a emoção é indescritível.
Então a pediatra pegou, secou, examinou e a trouxe pra mim... Foi o melhor momento da minha vida.
Ela nasceu dia 8 de fevereiro, às 19:07, com 2,385kg, de 8 meses.
Prematura, sim, mas perfeita, um anjo de Deus, meu milagre, meu maior sonho da vida!

3 comentários:

  1. Caramba, fiquei mega emocionada com o seu relato. Graças a Deus deu tudo certo. Parabéns pela menina linda que agora faz parte da sua vida. Desejo muita saúde e felicidade para vc e sua família linda!!!

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  2. É na capacidade finita que temos de enxergar Deus, Ele se revela para nós, na sua potencialidade infinita de se revelar em Anjo, na beleza plena da gestação ao parto.
    Parabéns Vaneça e Vinicius, pelo presente que Deus nos deu através de vocês.
    Chegou Maria Vitória, e vai mudar e muito nossas vidas.

    Vovô Marcos

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